Comida barata em Cuba: uma saga

… uma saga composta por muita, muita farinha.

Comer barato em Cuba é, sim, bastante fácil. Por mais que em restaurantes ou casas particulares um prato custe a partir de 8 CUC, aquele antigo e bem treinado olhar mochileiro vai te ajudar a encontrar os cantinhos que te proporcionam uma comida não muito saudável, não muito variada, mas (por vezes) saborosa e (sempre) barata.

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A gente não aguenta mais pão, mas a alegria é genuína por seguir viajando.

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Meios de transporte em Cuba (com preços!)

Ainda que Cuba não seja um país muito extenso, viajantes de duas semanas costumam tecer sua rota pela zona mais próxima de Havana, chegando tão longe quanto Trinidad. Para quem tem pelo menos um mês, a parte oriental do país é uma possibilidade mais concreta, sendo possível conhecer desde a capital até Santiago de Cuba, do outro lado da ilha. Aeroportos existem espalhados pelo país; viajar por terra segue sendo a maneira mais barata de operacionalizar a jornada.

As opções são diversas: de ônibus turísticos até caminhões, cabem até nos orçamentos mais apertados – seguindo a lógica de que quem procura, acha. Buscando tornar mais palpável a idéia de quão barato pode ser viajar por Cuba (surpreendentemente e contra tudo que me diziam), minha experiência com transporte entre cidades se resume aqui. Mas atenção: por mais que haja uma lógica para o funcionamento de tudo no país, não há regra. O que eu vi como mais barato pode não ser quando você perguntar. Por isso, por via das dúvidas, sempre… pergunte! Os cubanos não se incomodam em serem abordados e adoram o Brasil.

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Onde se hospedar em Havana

Havana oferece possibilidades de hospedagem para todo o tipo de viajante: de gringos llenos de plata até mochileros contando cada moeda, não existe uma divisão clara de região para cada orçamento na cidade, como há em muitos outros lugares. Talvez porque o mesmo não se veja nem mesmo entre os cubanos em Havana, sem a divisão de classes explícita como estamos acostumados.
O que se pode dizer, sim, é que há uma região da cidade que aglomera a maior parte dos turistas – onde os carros antigos são mais lustrosos e qualquer cubano fumando um charuto se torna atração. Havana Vieja é esse bairro, e mesmo que você não se hospede por lá, inevitavelmente as andanças pela cidade te levarão para esses lados.

Um pouco mais distante da comercialização da vida cotidiana dos cubanos, é no centro de Havana que os turistas se misturam com o funcionamento normal da cidade – que não foi montada apenas para satisfazer as necessidades de quem vem de fora. Há 20 minutos a pé de Havana Vieja e 5 do Malecón (o mais próximo de uma versão cubana do calçadão de Ipanema que você vai encontrar), está a Casa Mirella para Mochileros.

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Essa casinha avermelhada é o lar da de Mirella, em Centro Havana. Talvez você também se sinta em casa, logo menos.

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Ser latinoamericana viajando em Cuba

Chegando ao fim da minha jornada de 18 dias por Cuba, chego à Havana para os últimos dias no país. Não sou grande fã de capitais, terras-de-ninguém onde, mais do que em qualquer lugar, parece que o jogo tem suas próprias regras – o melhor e o pior de um povo e de uma cultura são escrachados em toda esquina, o que é possível constatar em  alguns minutos observando para fora de qualquer janela.

Lendo o mundo através desse paradigma um pouco dramático (admito) do que é estar em uma capital, descasco um abacaxi com uma faca muito pouco afiada que quase me dá vontade de comê-lo com espinhos e tudo. A dona do hostel me chama, interrompendo meus devaneios, pedindo ajuda para traduzir informações à uma gringa que acabou de chegar e não fala uma palavra de espanhol. Deixo meu tortuoso trabalho de fatiar a fruta, um tanto quanto agradecida, para encontrar uma menina desamparada e sozinha. Conheço bem a figura: sendo eu mesma uma mulher jovem que viaja sola, já cruzei com muitas outras que precisavam de um ombro amigo em início de viagem, ou simplesmente alguém que dissesse que, por mais que as coisas não estejam dando muito certo nesse momento, elas vão melhorar.A situação começa a se desenrolar em frente aos meus olhos enquanto ouço duas versões que se complementam: a dona do hostel me diz que o cubano que está com a estrangeira não pode circular pelo hostel, mas que há uma cama onde ela pode dormir. Enfatiza que conhece bem aquele homem e ele só quer tirar dinheiro dela, dar bebidas alcoólicas e se aproveitar – ele trabalha com isso, os conhecidos “jiñeteros” de Cuba.

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