Sobre ser mulher viajando sozinha

Quando eu decidi ir pra Índia sozinha, com 19 anos, parece que o mundo ao meu redor parou e respirou fundo por um instante, hesitando antes de reagir. Apesar de alguns “que incrível, Ju!”, a maioria das respostas era de medo. Da impossibilidade de eu estar fazendo isso sendo mulher. De ameaça, porque ouvi de muitas bocas tudo de ruim que poderia acontecer comigo (e a lista não é pequena). E nessa hora eu fui a pessoa a respirar fundo, hesitante.

Ter receio é uma resposta natural. Por mais convicta que você esteja, quando o mundo inteiro ao teu redor diz que não é possível, você começa a questionar se não sonhou alto demais, longe demais – se o risco não é demasiado grande. Precisei buscar subsídios para me certificar de que a minha loucura não estava assim tão fora da curva: conversei com algumas mulheres que haviam mochilado sozinhas por esses mesmos lugares que eu queria ir; foi o suficiente para eu saber que sim, eu podia. E então eu fui.

Ter receio é uma resposta natural. Por mais convicta que você esteja, quando o mundo inteiro ao teu redor diz que não é possível, você começa a questionar se não sonhou alto demais, longe demais – se o risco não é demasiado grande.

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Um casamento no Nepal

O cenário no Nepal era de crise. Pós terremoto, no início do inverno e lidando com uma crise de combustível (leia mais sobre aqui), eu havia conseguido atravessar a fronteira da Índia para iniciar meu mochilão no país vizinho. Antes de vir, havia conversado com muitos turistas especulando sobre a ida para o Nepal: a maioria deles concluía que seria melhor não ir, afinal, a crise não afetava apenas os meios de transporte dos turistas e locais, mas também o transporte de alimentação e todo o funcionamento do país. O cenário era de incerteza.

Atravessei a fronteira esperando um dia longo, e procurei pelo ônibus que me levaria à minha cidade de destino, Chitwan. Sabia que em um dia comum já seria difícil, pois o fluxo naquela direção não era tão intenso (e turístico) como para Pokhara ou Catmandu. Troquei de ônibus algumas vezes e acabei respirando aliviada com a certeza de que chegaria no meu destino – ou quase: a ideia era ir para uma fazenda orgânica nas proximidades da cidade, e para isso seria necessário tomar mais uma condução local ao chegar em Chitwan.

Ao meu lado, uma menina nepalesa, que parecia ter a minha idade. Ela havia me auxiliado a encontrar o ônibus certo e acabamos sentando juntas. A viagem, que daquele ponto duraria umas quatro horas, foi confortável: trocando ideia eventualmente, alguns silêncios amigáveis, observando a vista pela janela (mesmo tendo acabado de cruzar a fronteira, as diferenças da Índia já me eram gritantes). A noite começava a cair e eu sabia que havia perdido o último ônibus que poderia me levar à fazenda, onde trabalharia como voluntária em troca de estadia e alimentação gratuitas. Comento com a menina que precisaria encontrar um lugar para dormir esta noite, e depois de pensar por alguns instantes, ela diz que posso ficar na casa da tia dela, que estava indo visitar. Me animo com a possibilidade e, enquanto ela liga para sua família para saber se seria possível, eu entro naquele estado de plenitude e alegria genuína de saber que aquela vivência estava sendo proporcionada por uma viagem; por um estado de abertura ao mundo; por estar sozinha a tantos milhares de quilômetros de casa.

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Adiantando a história: com os recém casados, na festa de casamento.

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Uma experiência com Vipassana no Nepal

Vipassana é uma técnica de meditação antiga, não religiosa, ensinada há mais de 2500 anos. Foi sistematizada por Goenka, um praticante do Myanmar que se mudou para a Índia. Ele criou os cursos dessa vertente de meditação da forma que são conhecidos, e a partir disso foi possível que a técnica se disseminasse também pelo ocidente. Vipassana significa ver as coisas como realmente são, e toda a técnica meditativa ensinada pretende te levar nessa direção.

Hoje em dia, a lista de países com um centro de Vipassana é extensa. Muitos viajantes se atraem por participar de um curso, talvez por viajar ser um momento em que estamos muito abertos e podemos dedicar um tempo a nós mesmos, da forma que for. Às vezes, encontrar 10 dias quando você está em casa sentado no sofá, ou trabalhando 40h por semana, parece difícil… no movimento constante de viajar, nos permitimos. Durante minha passagem pela Ásia conheci muitas pessoas que haviam participado ou iam participar em breve de um dos cursos do Goenka. Pessoas que viajam por um longo tempo normalmente tem um próposito, um motivo para terem deixado suas vidas para trás. Elas buscam algo. Quando você viaja por si, a jornada é interna: a viagem apenas o estimula e o auxilia a ir além nessa busca por autoconhecimento. Pouco similar com a meditação, não?!
Busque o centro mais próximo de você – ou de sua futura viagem.

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Já que não tenho fotos do centro onde fiquei, vai essa, que foi tirada em Pai (Tailândia)

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O que fazer em Koh Rong, no Camboja

A Tailândia é conhecida por suas praias paradisíacas de areia branca e águas translúcidas: grande parte dos turistas que visitam o país tem a costa como objetivo. Acontece que muitos mochileiros com rota pelo Sudeste Asiático, ao passarem pelo Camboja, acabam esquecendo que o país também oferece essas belezas naturais.

Sihanoukville é a praia mais conhecida por festas no país, sendo o ponto de encontro dos viajantes do mundo inteiro com os Australianos que buscam a oportunidade de ir para a balada e gastar pouco dinheiro (sim, você verá muito mais australianos do que locais). Apesar de estar a apenas um barco – e menos de 10 dólares – de distância da cidade, muitos nem se pensam em ir conhecer Koh Rong, uma das ilhas paradisíaca nos arredores.

Aqui vão algumas dicas para o mochileiro que busca Koh Rong sentindo aquela necessidade de afundar o corpo em areias fofinhas e entrar em um mar onde pode até enxergar o pé tocando no chão, devido a sua transparência. Não vou nem entrar no mérito de falar da temperatura do mar porque acho que já tem motivos o suficiente nesse post pra você querer conhecer a ilha, ok?

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Pôr do sol em Long Beach, Koh Rong.

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Amritsar e o Golden Temple: dois dias de graça na Índia

Amritsar é uma cidade localizada no noroeste da Índia, no estado de Punjab. Ela é famosa pelo templo que lá se encontra: o Golden Temple, grande monumento da religião Sikh – é o centro do sikhismo no país.

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Claramente, a imagem de uma pessoa que não sabe posar na frente de monumentos.

A Índia é conhecida especialmente por ser um país de maioria hindu, mas diversas outras religiões coexistem (de forma não tão pacífica, muitas vezes) no mesmo território. Não há como negar que o país é fortemente religioso: seja muçulmano, hindu, sikh, cristão ou jainista, a grande probabilidade é que qualquer indiano se identifique com alguma delas. No tempo que estive no país, me propus a buscar informações sobre todas as religiões que se mostrassem abertas à minha presença, visitando templos e participando de cerimônias abertas.

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Por que Myanmar, por que agora.

Existe uma mística no imaginário do viajante que orbita ao redor de Myanmar. É um país do sudeste asiático que faz fronteira com a Tailândia; mesmo assim, recebe anualmente 8 vezes menos turistas do que seu vizinho. Parece que ninguém tem informações certeiras sobre o país: é seguro ir? Preciso voar para lá, ou dá pra cruzar uma fronteira terrestre? Quais fronteiras estão abertas para turistas? Dá pra viajar por lá sozinha? É muito caro?

O fato é que Myanmar – antigamente chamado de Burma, nome proveniente do período de colonização francesa devido a maioria etnica burmesa presente no país, e modificado com o início da ditadura – está passando por um processo de redemocratização, depois de uma ditadura militar que começara em 1962. Nas últimas eleições, em 2015, venceu o partido de Aung San Suu Kyi, mulher símbolo da luta pela democracia no país, que fora presa política em estado de prisão domiciliar por muitos anos (para quem se interessar em se aprofundar no assunto, o netflix tem um documentário chamado “The Lady” sobre sua história). Apesar do turismo ser permitido no país desde 1992 (quando a obtenção de um visto era praticamente impossível devido a todos os entraves colocados pelo governo), foi a partir de 2012 que o país começou a se popularizar entre mochileiros.

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Pagodas em Bagan ao nascer do sol e os balões

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Custos de um mochilão pelo Sudeste Asiático

Em outubro de 2015 iniciei um mochilão pela Ásia que durou até o final de fevereiro de 2016. Depois de viajar pela Índia e Nepal, rumei para o Sudeste Asiático, onde viajei pelo Camboja, Tailândia, Laos e Myanmar.

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Pra localizar a galera

Quando decidi realizar essa viagem e comecei a pesquisar sobre como tirá-la do papel, tive certa dificuldade em encontrar informações concretas sobre quanto iria gastar. Sabia que poderia ser uma viagem “barata” (principalmente quando comparado ao custo de uma viagem pela Europa ou outros países “famosos” para mochileiros), mas não tinha noção de o quanto.

Sempre fui uma pessoa econômica, e meu estilo de vida colabora: não bebo, não sou de balada, não preciso de muitos luxos para viver, e só a ideia de “fazer compras” já me deixa nervosa. A famigerada mão-de-vaca. Portanto, aqui vou compartilhar os gastos que tive – espero que te ajude!

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