Quão barato pode ser mochilar pela Índia

Dentre todas as informações que recebemos sobre a Índia como destino turístico, uma das mais comuns é o quão amigável a mochileiros com um orçamento apertado o país é. Quando saí do Brasil com a ideia mochilar o combo Índia + sudeste asiático, me preparei para um gasto de 30 dólares por dia, sabendo que poderia viver de forma relativamente confortável com esse dinheiro. Estive no país por dois meses, sendo que por três semanas fiquei em uma só cidade, fazendo meu curso de formação em yoga. Enquanto viajava, sempre tentei fazer tudo da forma mais barata o possível, e aqui divido com vocês os custos que tive. Pra resumir a história (e pra quem gosta de começar um livro pelo final), vou mostrar como viajei com um gasto médio de 15 dólares por dia (bem menos do que eu esperava gastar)!

1 real brasileiro = +-19 rúpias indianas
(junho de 2016)

Lembrando que a ideia de viajar por si que tento compartilhar nesse blog, é fazer tudo da forma mais autônoma o possível, e também da forma mais barata – o que geralmente quer dizer abrir mão de vários confortos. Então talvez o quarto às vezes sujo e o banho gelado que eu não me importei possam ser coisas que te incomodariam; talvez você queira comer comida ocidental de vez em quando ou visitar muitas atrações turísticas, caso esse seja o tipo de viagem que te chama. Se você se reconhece nessas afirmações, vá consciente de que vai desembolsar mais do que 15 dólares, mas vai continuar sendo uma viagem bastante acessível. Esses são os meus gastos, da forma como eu gosto de viajar! Adapte essas informações para o seu estilo de vida.
Ah, muito importante ressaltar: barganhe. Na Índia, tudo é barganhável (menos comida, no geral). Os valores postados aqui são já contando com essa negociação realizada (e sério, eu sou péssima nisso, acredito que vocês consigam fazer muito melhor…)

Gastos com hospedagem. Pelos lugares que passei, o custo médio de um quarto variava entre 250 e 400 rúpias indianas. O mais barato que paguei foi em um Ashram em Rishikesh, 150 rúpias por um quarto duplo + aulas de yoga 2x por dia (foi o quarto mais sujo e frio onde já fiquei, mas valeu muito a pena!), no Ved Niketan Ashram. O mais caro foi 500 rúpias, por um quarto bagaceiro em Mumbai (uma das únicas cidades onde pode ser sensato considerar reservar um lugar para ficar com antecedência, pois os preços são os mais altos da Índia referentes à acomodação e parece que tudo está sempre lotado!). Os preços vão sempre variar de acordo com o quarto (seu tamanho, sua vista…), então até mesmo os hostels mais arrumadinhos podem ter um quartinho socado em algum canto escondido por um preço bem mais amigável. Regra de ouro: pergunte e barganhe.
Importante: muitas cidades da Índia, principalmente no sul, não possuem oferta de quartos compartilhados, como é comum em hostel. No Kerala, por exemplo, você vai encontrar mais guesthouses com quartos duplos. Para quem viaja acompanhado, ainda é em conta; para o viajante solitário, vale fazer amizade com qualquer outro gringo no ônibus ou na rua pra dividir o quarto. Se jogar no mundo pode ser, também, estar disposto a dividir pela primeira vez uma cama com alguém que há poucas horas atrás era um completo estranho.

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Vista do forte de Jodhpur, no terraço da guesthouse onde me hospedei.

Comida. Ahhhhh, a comida.  A Índia é basicamente uma orgia gastronômica, com todos os seus cheiros e temperos. Famosa por seus pratos apimentados, percebe-se que, na verdade, isso não deriva tanto assim do chilli, mas muito de suas especiarias (com as quais não estamos acostumados aqui no Brasil). Eu sou bem pouco resistente à pimenta, mas sou apaixonada pela comida indiana. Se você não se dá bem com condimentos diversos, porém, pode ter um pouco mais de dificuldade. Minha comida de todo-dia (inclusive, às vezes, mais de uma vez por dia) era o thali: normalmente composto por arroz, dhal de algum grão, sabji (refogado de legumes), chapati (aquele pão que parece uma panqueca) e mais alguma porção, variando de região para região. É uma refeição muito completa e saborosa. Sim, eu poderia fazer um post inteiro só pra falar da comida na Índia, mas agora vou tentar me ater aos preços…

O mais barato que já paguei por um thali foi 40 rúpias (o que é EXTREMAMENTE barato, não espere encontrar em muitos lugares), mas acredito que a média seja de umas 200r. Você pode encontrar thalis mais elaborados por bem mais, certamente, mas o mais delicioso é sentar em um lugarzinho meio de rua, sem cara de restaurante, e quase chorar de alegria quando estiver terminando o prato (que já é grande) e eles oferecerem repetição. Sim, é um all you can eat de comida indiana!!!!!!!! Mas em restaurantes “de verdade” (mais limpos, mais organizados, com vários funcionários) essa regalia não existe.
Se você não quiser comer thali, ainda consegue comer bem por menos de 200 rúpias. Caso queira aproveitar de todas as maravilhas gastronômicas da Índia e puder pagar mais umas 100 rúpias, peça um lassi, bebida de iogurte maravilhosa, para acompanhar. Sendo bem econômico, dá pra se virar com 100 (mas é bem econômico mesmo!). Lanchinhos de rua, de barraquinhas, são ainda mais baratos (custando as vezes umas 15r), mas não vão forrar o estômago mochileiro permanentemente esfomeado com tanta facilidade.
Dica: os thalis mais baratos se encontram em cidades religiosas e de peregrinação. Por exemplo, esse de 40r eu comi em Rishikesh, e em Varanasi comi um thali de graça (um restaurante que servia comida de graça pra todos que ali entravam – não sei se é sempre assim, mas na frente tinha uma faixa anunciando a comida gratuita. Uau.)

Barraquinha de rua vendendo masala dosa; na direita, o thali no Kerala, que é servido em uma folha de bananeira.

Transporte. A Índia é um país imenso e com diversas possibilidades de locomoção. Trens, ônibus, companhias aéreas low cost, sempre há uma forma de chegar onde você deseja. Se mover é sempre um dos maiores gastos de uma viagem, especialmente quando ela é curta ou queremos visitar o maior número de lugares no menor tempo possível (se esse é seu plano, vá consciente de que a Índia tem seus próprios caminhos: você pode planejar o quanto quiser, mas precisará aceitar que as variáveis fogem de seu controle e ônibus são cancelados, trens atrasam mais de 24h…). A boa e velha técnica de viajar durante a noite para não pagar acomodação permanece.
Eu viajei muito mais de trem, porque principalmente em viagens longas, você tem uma cama onde esticar as pernas e se deitar horizontalmente. Os valores dos tickets vão depender de muitos fatores: a distância a se percorrer, a classe na qual você viaja (não se incomode em pagar pelas classes com ar-condicionado: a sleeper class já é suficientemente confortável para uma noite de sono), a antecedência com a qual você comprou o bilhete (com tantas pessoas vivendo lá, eles esgotam rapidamente. Você pode comprar os bilhetes de emergência – “tatkal” – pela internet ou em uma agência de viagens 24h antes de partir, o que claro, encarece o valor)… Via de regra, viajar de ônibus é mais barato, ainda com a vantagem de não precisar ficar correndo atrás de tickets antecipados ou mais caros em cima da hora.
No site do Indian Rail você pode conferir os valores de passagens de trem para a cidade que deseja, na classe que quiser.
Tudo é possível de trem. Viajei de Kochi, no sul do país, a Agra – dois dias dentro de um vagão e uma grande experiência!

Trem para se locomover em Mumbai; pendurda para fora da porta só pela emoção…

Lazer e outras atrações. Inicialmente, você vai ficar tonto com todas as possibilidades. Os fortes, a cultura, os shows de dança típica, os passeios, rafting, bungee jump, paragliding… certamente a Índia oferece opções diferenciadas e para todos os gostos (e bolsos). Iniciei minha viagem desse jeito, como quem quer agarrar o país inteiro com as mãos. Com o passar do tempo, fui entendendo que tipo de atração realmente me movia e no que eu queria investir meu tempo e meu dinheiro, e assim passei a gastar bem menos (só pra comparar, no início da viagem estava gastando todos os dias aproximadamente 1500 rúpias, e terminei a viagem gastando menos de 1000, com todos os gastos diários incluídos). Se você gosta de pontos turísticos, vá! Os fortes, por exemplo, muito famosos no estado do Rajastão, custam aproximadamente 400 rúpias pela entrada e um guia de áudio – as vezes opcional (indico especialmente o forte de Jodhpur, muito organizado, e te faz sentir que vale o preço que paga). Um show de danças típicas (incrível, diga-se de passagem), em Udapur, custou 100 rúpias. Provavelmente, a atração mais cara da Índia é o Taj Mahal, custando 750 rúpias por turista.
Quero ressaltar aqui como esses pequenos passeios que você faz influenciam nos seus gastos. Se você quiser visitar muitos palácios, museus, fortes, espetáculos e outras atrações pagas, reserve um dinheirinho a mais para isso. Quem passa mais tempo no país (ou viaja sem pressa) acaba encontrando uma outra forma de viajar e de conhecer a cultura local, bem mais barata!

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Camelos em Jaisalmer (Rajastão).

Então, meus queridos, viajar com 15 dólares por dia incluindo transporte, acomodação, comida e lazer é possível. Se você realmente quer, pode fazer com menos ainda (e se fizer, me manda uma mensagem no facebook pra dividir a experiência comigo???)! A ideia dessa postagem não é dizer qual a melhor maneira de se viajar, porque isso não existe, mas sim mostrar como podemos adaptar nossas necessidades e tornar uma viagem dessas bastante palpável. Viaje por si que é mais barato!

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4 comentários sobre “Quão barato pode ser mochilar pela Índia

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