A Trilha do Trigo, no Rio Grande do Sul

Construída durante os anos 70, durante a ditadura militar, a Ferrovia do Trigo (EF-491) localiza-se no interior do Rio Grande do Sul, e o trecho entre Guaporé e Muçum é conhecido por ser um trajeto de trilha. Ainda que muitos gaúchos não conheçam a rota, o “passeio” (entre aspas, porque no final suas pernas vão demandar um pouco mais de descanso do que um simples “passeio” faria) apresenta cenários que muitos nem imaginam poder encontrar no país (afinal, o que é Brasil além de diversidade?).

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O Adriano, parceiro de trilha, balançando as perninhas enquanto admira a paisagem

Fiz essa trilha em maio de 2016 e compartilho aqui dicas para quem deseja viajar por si e fazer o mesmo de forma autônoma! Apesar de existirem grupos com guia que realizam o percurso, essa contratação não é necessária, pois não há possibilidade de se perder no caminho (você vai literalmente seguir os trilhos do início ao fim). Não há subidas íngremes durante todo o percurso, mas que isso não te engane – a trilha não é fácil e demanda certo preparo físico (ou, no mínimo, disposição e boa vontade). O solo de pedras irregulares não dá descanso em momento algum, o que exige bastante do seu corpo. Apesar de ser possível realizar a trilha com um tênis comum, botas específicas para trekking são um conforto altamente recomendado caso esse seja um luxo que você pode se dar!

Iniciando a trilha, saímos de Guaporé e fizemos o caminho de 48km até Muçum em 2 dias (sendo o primeiro dia de 20km até um camping no caminho, e o segundo dia, 28km do camping até Muçum). Para esta opção, o ideal é chegar na noite anterior e dormir na cidade (qualquer uma das duas, já que a trilha pode ser feita nos dois sentidos – inclusive, só fizemos nessa direção pois quando chegamos na rodoviária de Porto Alegre não havia mais passagens no ônibus para Muçum), iniciando a trilha no dia seguinte, de manhã cedo. Quem preferir, também pode fazer a trilha com calma, em 3 dias – opção recomendada principalmente no verão, pois lhe dá tempo para aproveitar as diversas cachoeiras pelo caminho.

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Pelo caminho, só coisa-linda.

A experiência da trilha em si é fascinante – queria que todo mundo pudesse ver os imensos viadutos espalhados pelo trajeto (inclusive contamos com o Viaduto 13, em Vespasiano Correia, que com seus 143 metros de altura e 509 de extensão, é o maior viaduto ferroviário da América!!). Por sinal, quem tem medo de altura pode querer tirar um tempinho no início da travessia para respirar fundo e concentrar: até mesmo quem nunca teve medo treme na base nesse momento. Além disso, o medo de escuro e de lugares fechados também pode ser trabalhado nessa trilha… são mais de 30 espalhados pelo trajeto, desde os curtinhos até os com mais de 2km de extensão. Levar uma lanterna é essencial – aquelas de cabeça quebram um galho legal.

Em relação a mochila, a regra é a de sempre: quanto menos peso nas costas, mais você agradece a si mesmo por ser tão econômico e conseguir minimizar um pouquinho a dor que pode vir a sentir. Leve uma garrafa d’água, que poderá ser reabastecida ao longo do caminho em fontes e nascentes, em sua maioria puras (para os mais precavidos, tabletes de iodo resolvem o problema – mas não levei nada e passo bem, obrigada). Em relação à comida, vai depender da sua disposição. Levamos pão e recheios para fazer sanduíches, e sinceramente, acho que não compensa carregar um fogareiro para cozinhar durante a trilha.

Fizemos o segundo dia de trilha com chuva o tempo inteiro, e mesmo assim valeu muito a pena (as nuvens até dão uma ambientação cênica bem bonita pras montanhas, não?!). Para quem fizer no inverno, é bom lembrar que estamos acampando na serra gaúcha, e por mais que durante o dia o corpo aqueça com o exercício, as noites são frias!

 

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A vantagem dos dias chuvosos.

Então, operacionalizando…

O que levar sem falta

  • Lanterna
  • Saco de dormir, barraca e isolante térmico
  • Sapato confortável (de preferência bota para trekking)
  • Garrafa dágua

Como chegar lá

Da rodoviária de Porto Alegre, você pode ir para Muçum ou Guaporé, dependendo em que sentido quer fazer a trilha.

  • Para Muçum: R$40, aproximadamente 2h45 de viagem.
  • Para Guaporé: valor entre R$45 e R$53, duração entre 3 e 5h de viagem, dependendo da opção escolhida

No site da rodoviária de Porto Alegre você pode conferir os horários e valores das passagens.

Para retornar a Porto Alegre, é importante conferir o horário dos ônibus saindo de cada cidade. Saímos de Muçum às 16h15, e havia outro ônibus pelas 18h; ouvimos dizer que não havia ônibus saindo de Guaporé no final do domingo. Na pior das hipóteses, você pode pegar um ônibus de qualquer uma das duas cidades para Bento Gonçalves, e de lá pegar outro para Porto Alegre.

Onde dormir

* os preços listados nessa postagem, tanto de ônibus quanto de hospedagem, são referentes a maio de 2016.

Em Muçum:

  • Hotel Marchetti (quarto duplo por R$80) – (51) 3755-1253

Se você vier de Porto Alegre para Muçum, peça ao motorista para te deixar no hotel (o ônibus passa pela frente).

Em Guaporé:

  • Hotel e Restaurante JC Borsatto (quarto duplo por R$110) – (54) 3443 5430
  • Hotel Rocenzi (quarto duplo por R$100) – (54) 3443 6223

Na trilha:

  • Casa Recanto da Ferrovia (camping por R$20 e quarto, sob disponibilidade, por R$ 35. Negociável) – (54) 9952-3206

O camping oferece água quente, Wi-Fi e vende pastéis/outras comidinhas que você pode querer.

Lembrando que durante a trilha é possível montar sua barraca “próximo” dos trilhos – só se assegure que é distante o suficiente para a passagem de um trem!

 

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Se encerrando o post com essa foto eu não te convenci a fazer a trilha, falhei.

A maior curiosidade do pessoal quando ouve falar dessa trilha é: mas ainda passa trem aí?! E a resposta… SIM!! No caso de um trem aparecer, a solução é ir pra esses espaços “para fora” do viaduto, como dá pra ver na foto acima. Nos túneis, algumas partes das paredes são vazadas para dentro com o mesmo intuito – é só procurar o mais próximo pra se abrigar enquanto o trem passa. Infelizmente, quando estive lá não vi nenhum… acho que a solução vai ser fazer a trilha novamente e torcer por esse encontro!

Ficou alguma dúvida? Deixa um comentário nessa postagem ou entra em contato pela página do Viaje por si no facebook que eu ajudo como for possível!

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6 comentários sobre “A Trilha do Trigo, no Rio Grande do Sul

  1. Ben Hur disse:

    Bah curti pra caramba, vou convidar uma galera pra fazer…só To pensando que agora ta entrando um friozinho a noite, bom levar uma manga comprida…eu acho

    Curtir

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