Para iniciantes: planejando um mochilão autônomo

Antes de sair mochilando pela Ásia, um dos meus receios era nunca saber se estava planejando demais ou de menos. E se chegar lá e perceber que esqueci de pensar em algo muito essencial?? Quando viajamos de forma autônoma, sem nenhuma agência ou pessoa que está se responsabiliza por nós, qualquer coisa que dê errado é unicamente nossa culpa. O que é bom e ruim: apesar de ser um tanto quanto ansiogênico saber que não tem ninguém pra me salvar da roubada em que me meti, é um processo muito importante de tomada de consciência e protagonismo na minha própria jornada.

Você já decidiu seu destino. Sabe quanto tempo tem para viajar por lá e já separou uma grana para investir nisso. Agora, falando em termos práticos: que passo eu preciso dar para começar meu planejamento?

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Meu kit: mochila, tapetinho de yoga e dois guias de viagem (que eu mal abri, mas vá lá, foi mais-ou-menos útil em alguns momentos)

Passagem Aérea

Todo mundo já deve ter ouvido que, quanto mais antecedência na compra da passagem aérea, maior a economia. A verdade é que, se 6 meses antes de embarcar o preço está alto, é bem possível que ele diminua na janela de 60 a 45 dias antes do embarque para viagens internacionais (e 30 a 15 dias para viagens em território nacional).

Comprovei isso na compra da minha passagem: na marca de 60 dias antes da semana que pretendia embarcar, os preços começaram a baixar, e com 50 dias de antecedência eles estavam oscilando: foi quando comprei meu bilhete, por bem menos do que se tivesse comprado com muita antecedência.

Hoje em dia temos muitos sites que facilitam nossa busca pela passagem mais barata, é só ir atrás e aprender como pesquisar. Alguns outros fatores que ajudam a garantir o preço mais barato:

Flexibilidade na data. Não ter um dia específico em que você gostaria de viajar, e sim uma semana, por exemplo, permite que você diminua muito o seu gasto. Claro que se a viagem é curta muitas vezes não temos essa flexibilidade, mas em viagens mais longas, 2 ou 3 dias acabam não fazendo tanta diferença no roteiro – mas no bolso sim.

Promoções de passagem. Com certa frequência, companhias aéreas fazem promoções com preços incríveis, mas que não duram muito tempo. Se você ver uma promoção para onde deseja ir (ou até mesmo um lugar próximo de seu destino final, que pode acabar compensando também), compre na hora: já perdi promoções maravilhosas com o cartão de crédito na mão, olhando para o computador com cara de quem perdeu a fé na humanidade, por questão de demorar uma hora a mais do que poderia.

Por exemplo: só nessas últimas duas semanas, teve promoção da Ethiopian Airlines por R$1700 para a Índia e da AirCanada por R$1200 para Israel (ida e volta, saindo de São Paulo, com todas as taxas incluídas!!).

Fique ligado em sites como Promoção relâmpago de passagens e Melhores Destinos, que vão te notificar dessas promoções – vale seguir no facebook e baixar o app no celular para receber sempre as notícias na hora.

Ferramentas de busca de passagens. Meu preferido é o SkyScanner , que mostra o valor final da passagem com as taxas de embarque incluídas – ou seja, de cara você já tem a noção real de quanto estará pagando. Outras opções são o Kayak , Google Flights e Momondo. Vale visitar cada um dos sites para ver qual apresenta mais opções que facilitem sua compra, mas a maioria deles dá, por exemplo, a possibilidade de olhar os preços por mês: então você pode escolher a data mais barata do mês inteiro para viajar.

Ah, apesar de pesquisar por esses sites, a compra final sempre faço pelo site da companhia aérea, para escapar de qualquer taxa adicional que possa existir (sabia que o Decolar cobra pelo menos R$40 por passagem de vôo nacional comprada por lá?).

Seguro Saúde

Ninguém sai de casa pensando que vai machucar no percurso, mas é fato que, se acontecer e você não tiver seguro, a conta pode sair bem amarga. Países da Europa que fazem parte do acordo de Schengen (isso inclui todos os da União Européia, mais Islândia, Noruega e Suíça) requerem que você tenha seguro de viagem para ingressar no país. Não que na prática isso seja implementado mesmo – em 2014 fui para a Alemanha e ninguém nem pediu essa documentação na imigração. Mas a verdade é: se pedirem o seguro e você não tiver, corre o risco de ser deportado de volta para o Brasil.

Na Ásia – ou pelo menos nos países que visitei – essa regra não existe (inclusive, a única regra existente é apresentar o certificado de vacinação da febre amarela… que também nunca me pediram). Eu fui com seguro e nunca precisei usar, mas encontrei muitos viajantes que precisaram: desde a mordida de cachorro na Índia até o acidente de carro nas tumultuadas estradas do Laos, é o seguro de viagem que cobre essas despesas e acalma seu coração (não, seu braço não vai cair mesmo que um cachorro indiano pulguento e fedido tenha te mordido).

Fiz meu seguro pelo World Nomads, que é uma seguradora especializada em necessidades de mochileiros: algumas demandas que outros seguros não cobrem de forma alguma, eles são os únicos que não se esquivam. Absolutamente qualquer esporte radical que você possa pensar está (ou pode ser) incluído – esqui, mergulho, paragliding… São atividades que você talvez não faça quando está em casa, mas ao menos na Ásia, as oportunidades serão infinitas e os preços tentadores! Mesmo cobrindo tudo isso, o preço acaba sendo inferior ao de muitas outras agências. Além disso, eles também oferecem seguro em caso de furto ou extravio de bagagem, por exemplo. A parte negativa é que eles só tem atendimento em inglês.

Dica: quando comprei meu seguro, usando o código WNLOVE você ganhava 7% de desconto.

Dinheiro

Antes de viajar, uma amiga que já havia ido para a Índia me relatou que não conseguiu sacar dinheiro de ATM, caixa eletrônico, nenhuma vez – e nem nenhum dos brasileiros que estava com ela. Fiquei preocupada e me preveni comprando dólares, e durante 5 meses troquei os dólares em casas de câmbio nos países que visitei. É uma maneira muito prática, mas chata: andei com pochete por baixo da roupa o tempo todo, ou, quando o dinheiro estava na mochila (o que não recomendo a ninguém) sempre tinha que ficar de olho.

Outra opção são os cartões de saque Visa Travel Money (VTM), que são cartões de débito, pré pagos: você carrega ele em dólar ou euro antes de viajar e saca na moeda local. Além disso, cartões de crédito e débito normais podem ser desbloqueados internacionalmente para que você possa sacar dinheiro em qualquer lugar do mundo.

É importante pesquisar mais profundamente sobre cada método para descobrir qual o mais vantajoso: por exemplo, com qualquer cartão se paga a taxa do IOF; determinados bancos cobram taxas adicionais de saque e o caixa eletrônico em si também tem uma taxa – fazendo com que sacar grandes quantias seja mais vantajoso do que sacar pequenas quantias com frequência.

Minha recomendação – uma opinião puramente pessoal e empírica – é que se leve cartão (seja o pré pago ou o de crédito) e alguma quantia em dólar ou euro, caso o caixa não funcione ou o seu cartão acabe bloqueado por qualquer motivo: aí você não precisa se desesperar e tem algum dinheiro “na manga” (ou na pochete) até que consiga resolver a questão com o cartão.

Pesquisando sobre o destino e planejando roteiro

Depois de escolher nosso destino, é importante ter uma noção de lugares legais que gostaríamos de visitar. Isso nos poupa tempo de pesquisa durante a viagem em si, e nos permite que estabeleçamos uma certa rota mental de cidades por onde queremos passar. Também nos dá bastante informação prática: por exemplo, aquela cidade onde é preciso reservar acomodação com antecedência para evitar preços abusivos (cá entre nós, na Ásia isso não acontece quase nunca, porque a espelunca escondida nas ruas paralelas mantém seu precinho amigável – pelo menos dentro da média do país – e mesmo nas cidades mais turísticas sempre há um cantinho onde você pode passar uma noite antes de encontrar um lugar melhor – quando eu cheguei em Varanasi, na Índia, no meio da noite porque o trem atrasou, acabei em uma barraca montada no terraço de um hostel por um preço bem amigável).

Esse planejamento de roteiro dá uma sensação de segurança pra quem nunca viajou sozinho. Minha dica é: faça seu roteiro, mas deixe ele bem flexível. Não planeje quanto tempo ficará em cada lugar (a menos que seu tempo seja muito limitado), pois é impossível prever qual lugar vai te deixar apaixonado ou qual lugar te faz querer ir embora assim que possível. Por mais referências que tenhamos sobre outros viajantes que já foram para lá, nossa experiência é sempre única! Além disso, enquanto você viaja você vai descobrindo que tipo de lugar te atrai mais… e sempre vai ter um viajante perdido pra te contar sobre aquele lugar maravilhoso sobre o qual você nunca ouviu falar. Faz parte da viagem aceitar que é impossível controlar o que acontece – e isso pode ser a parte mais deliciosa de todas: é necessário se entregar!

 

Escrevendo esse post começou aquela agitação dentro de mim: o planejamento da viagem pode ser também uma parte muito gostosa do viajar, quando feito com calma e sem estresse. Se esse processo te deixa nervoso, respira fundo e vai no teu ritmo: cada parte do processo pode (e deve) ser aproveitada!

Gostaria de saber mais alguma coisa sobre planejamento de viagem? Dicas para arrumar a mala? Comenta aqui ou me manda uma mensagem na página do Viaje por si  no facebook!

Esse post foi útil para você? Dá uma olhada em outras dicas de planejamento…

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