Custos de um mochilão pelo Sudeste Asiático

Em outubro de 2015 iniciei um mochilão pela Ásia que durou até o final de fevereiro de 2016. Depois de viajar pela Índia e Nepal, rumei para o Sudeste Asiático, onde viajei pelo Camboja, Tailândia, Laos e Myanmar.

sudesteasiatico

Pra localizar a galera

Quando decidi realizar essa viagem e comecei a pesquisar sobre como tirá-la do papel, tive certa dificuldade em encontrar informações concretas sobre quanto iria gastar. Sabia que poderia ser uma viagem “barata” (principalmente quando comparado ao custo de uma viagem pela Europa ou outros países “famosos” para mochileiros), mas não tinha noção de o quanto.

Sempre fui uma pessoa econômica, e meu estilo de vida colabora: não bebo, não sou de balada, não preciso de muitos luxos para viver, e só a ideia de “fazer compras” já me deixa nervosa. A famigerada mão-de-vaca. Portanto, aqui vou compartilhar os gastos que tive – espero que te ajude!

Ah, por sinal, vou cotar todo esse post em dólares devido à flutuação atual da moeda em relação ao real, ok?

Em relação à hospedagem, ficava quase sempre em dormitórios, mas alguns locais menos turísticos tem apenas a opção de quartos para duas pessoas. A viajante sozinha (como eu) acaba tendo que pagar mais caro… ou fazer de um estranho, amigo, e dividir a tarifa (como quase todo mochileiro busca economizar acima do conforto, essa tarefa é muito simples). O máximo que gastei em hospedagem foi 8 dólares (em um dia que quis ficar numa cabana linda e maravilhosa cercada de jardins incrivelmente verdes e floridos, sem falar das montanhas!! – ou seja, um gasto que poderia ter sido evitado), e o mínino, 2,50 (os dois extremos da minha lista, tanto o mais caro quanto o mais barato, foram no Laos). Minha média foi de 5 dólares por noite.

Acredito que alimentação seja um dos itens mais variáveis dessa lista. Quem faz questão de comer comida ocidental e quer mandar ver no hamburger, na pizza ou não consegue viver sem queijo (que você vai sentir muita falta viajando por lá, porque além de ter muito pouco é caro) vai ter que abrir mais a carteira. Com uns 6 dólares você compra uma pizza grande o suficiente pra te alimentar sozinho (nesse exemplo, no Camboja). Caso você não se importe em comer como os locais comem – o que, sinceramente, transforma sua experiência cultural – o gasto é muito menor: por menos de 2 dólares dá pra comer um bom prato de arroz frito ou noodles (e também outras iguarias mais exóticas do local). Talvez depois de comer fried rice por 2 semanas em todas as refeições você queira se dar ao luxo de comer qualquer outra coisa (esse momento vai chegar e é extremamente necessário para sua sanidade mental, juro) e precise recorrer à comida ocidental – de vez em quando pode, vai. De qualquer forma, o mais barato que já paguei por um prato de comida foi 0,75 dólares, em Myanmar.

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Um lanchinho no Camboja: sticky rice assado com banana dentro de uma folha de bananeira (por 0,25).

Um dos grandes gastos de qualquer viajante é o transporte. Isso é regra: quanto mais você se move, mais você gasta. Claro, dá pra economizar pegando ônibus noturnos (e substituindo o gasto de um hostel pelo transporte) ou caroneando na estrada mesmo (enquanto isso é uma tarefa árdua no Laos ou em Myanmar, na Tailândia é provável que você não tenha que esperar nem 5 minutos com o dedão estendido antes que alguém pare para você). Não vou citar custos específicos de transporte pois isso depende da distância percorrida, mas adianto que o país mais caro nesse quesito é o Laos (e é também o que tem as viagens por estrada mais longas e de embrulhar o estômago). Mas vá lá, pra não deixar essa questão no ar: na maior parte dos países, com 5-7 dólares dá pra cobrir uma distância relativamente grande por terra, de bus;  e o barco que me levou até uma ilha no Camboja custou 10 dólares.
Uma observação: fiz todo meu trajeto no sudeste asiático por terra. Realmente, a menos que haja uma restrição grande de tempo da sua parte, não há motivos para voar. Caso você deseje mesmo assim, a AirAsia é a companhia que atende de forma mais barata essa região. Mas se o seu medo é o de cruzar sozinha as fronteiras por terra, não tema! Nunca tive nenhum problema e o processo é muito simples.

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Depois de um barco de 10 dólares, a recompensa: Long Beach, em Koh Rong

Vamos supor que você é o cara que não gosta de atrações turísticas. Foge como o diabo da cruz de qualquer aglomeração e prefere ir para lugares mais desconhecidos. Não vou dizer que você TEM QUE fazer qualquer coisa (porque não tem!), mas muitas dessas aglomerações contam muito da história e da cultura local, além de te possibilitarem visões que são únicas. O Angkor Wat (o complexo de templos em ruínas em Siem Reap, no Camboja), por exemplo, é uma dessas atrações, e claro que ela pesa no bolso: se você comprar o ticket mais barato, para visitar por apenas um dia, são 20 dólares, e o trajeto de tuktuk (ida e volta) para lá são mais 15 (quer baratear e fazer independentemente? Vá de bike!). Bagan, cidade histórica em Myanmar que contém mais de 3000 pagodas espalhadas por sua extensão, tem um ticket de admissão de 25000 kyat (20 dólares), mas quando eu fui haviam maneiras de burlar essa tarifa (se optar por essa opção, tome cuidado, pois às vezes você encontra guias pedindo pelo seu ticket de entrada nas pagodas mais famosas – e aí não há opção além de pagar a taxa). Em qualquer país, as atrações principais costumam ser bem inflacionadas: aí a necessidade de visitá-las vai do seu estilo de viagem, do que você deseja conhecer, e de quanto aquele checklist é importante (será que você realmente tem interesse naquele lugar, ou só quer ir para mostrar ao mundo como é viajado e conhece todos os cantos desse planeta?).
Atividades como trekking com guia, por exemplo, custam uma média de 20 dólares por dia – o que já inclui comida e acomodação, então você não precisará ter mais nenhum gasto naquele período. Dá pra pagar bem mais em uma agência com uma ideia mais elaborada, ou pagar menos e ficar num grupo de 20 turistas. A opção é sua.

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De bike no areião com os migos, passeando pelas pagodas em Bagan (Myanmar)

Outros gastos, como transporte dentro de cidades, serão variados: desde a pessoa com mais grana que vai se dar o luxo de pegar taxi, o viajante econômico que opta pelo tuktuk, ou aquele que conta cada centavo de dólar e prefere fazer tudo andando. Eu gosto muito de caminhar, mas é necessário conhecer seus limites: claro que quando estava com queimaduras de segundo grau decorrentes do sol em minhas pernas, chorando de dor (literalmente) pelo quanto havia andado naquele dia, me deixei convencer que um tuktuk para voltar para a guesthouse seria a melhor opção. Não seja cabeça dura. Por outro lado, caminhei 5km as 6 da manhã da estação de trem até meu hostel em Bangkok, simplesmente porque queria caminhar. Se conheça e não se imponha sofrimento desnecessário!

Por fim, gastei uma média de 20 dólares por dia – incluindo tudo menos as passagens de ida e volta. Dá pra fazer uma viagem extremamente confortável com 50 dólares (se permitindo um ar condicionado, um quarto privado, um banheiro mais limpo…), ao mesmo tempo que uma amiga francesa me contou que gastou 10 dólares por dia (!!!) no Camboja. Tudo depende do luxo e do conforto que você precisa, e do que você está disposto a abrir mão. Não há uma resposta global para essa pergunta, e os gastos acima são todos meus – e você é uma pessoa completamente diferente, com outras necessidades. Além do mais, não esqueça que essa é uma média dos países pelos quais viajei, mas gastei muito mais no Laos (devido aos passeios e atividades como trekking e caiaque) do que em Myanmar, que é um país que todos os viajantes aterrorizam dizendo que é o mais caro de todos – não é nem um pouco.

Várias formas de baratear essa viagem são possíveis. Viajar em baixa temporada (a alta temporada é entre novembro e fevereiro, bem quando eu estava por lá); menos refeições por dia e mais frutas (com sustância, por favor) ou lanches, por exemplo; não ficar pipocando de um lado para outro no país, e se permitir ficar mais tempo em cada cidade ao invés de buscar conhecer todas de uma só vez (o que também te permite se aprofundar e ir além do básico “pra turista ver”); trocar trabalho por acomodação e comida, seja dando aulas de inglês em orfanatos ou realizando serviços gerais em templos, são oportunidades que me possibilitaram passar alguns dias de minha viagem sem gastar nem um centavo. As possibilidades são infinitas! O orçamento do seu amigo ou da menina-do-blog são deles, e acredite: se você quer, ou principalmente se precisa, você pode fazer mais barato.

Quer saber alguma outra coisa sobre viajar no sudeste asiático? Tem uma curiosidade sobre algum desses países? Manda uma mensagem na página do facebook que eu ajudo!

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Um comentário sobre “Custos de um mochilão pelo Sudeste Asiático

  1. Roberto Issler disse:

    Adorei o teu relato! Com os detalhes e dicas gerais de uma viagem para essa região – que ainda não visitei! Com certeza foi daquelas experiências de uma vida! Que venham outras! Obrigado e sigamos na estrada pois tem muita coisa linda, lugares diferentes e pessoas bacanas para conhecer nesse mundão!!

    Curtir

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