90km de caiaque (!) no Laos

O Laos é um país no sudeste asiático com uma natureza exuberante, e suas montanhas incrivelmente verdes dão o tom às viagens pelo país. Suas estradas, porém, além de precárias (tornando viagens de 150km em um “tô-enjoada-vou-vomitar” de 5 horas), são perigosas: acidentes ocorrem com frequência, necessitando que outras formas de locomoção sejam pensadas. Dessa forma, os extensos rios que por lá correm acabam sendo utilizados como meio de transporte de pessoas e de bens.

Nesse cenário, é fácil de imaginar como o local é próprio para ecoturismo: trilhas pelas montanhas, escalada, tubing e caiaque são algumas das atividades que viajantes tem a possibilidade de participar. Depois de alguns dias de viagem no país, cheguei em Nong Khiaw, onde a oportunidade de viajar os 90km até Luang Prabang de caiaque se apresentou. A ideia pareceu muito mais atrativa do que todas as horas que precisaria passar dentro de um ônibus, e naquele espírito de “nunca fiz mas parece legal”, embarcamos nessa super empolgados. Qualquer oportunidade que eu tenho de me meter no mato é acolhida com alegria, então depois de explorar as florestas do Laos em uma trilha que durou 3 dias, eu estava animada para conhecer, agora, seus rios.

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Caiaque no rio Nam Ou – e olha essa paisagem!!!

A rotina era essa: remávamos de 6 a 7 horas por dia, parando para almoçar em qualquer canto de areia que aparecesse (a agência de turismo que acompanha se encarrega da comida, e você vai comer como os laosianos realmente comem: isso quer dizer vegetais, muitas preparações com bambu e sticky rice – aquele arroz que a gente conhece como sendo japonês, bemmm grudadinho – de café da manhã, almoço e janta). Depois de nadar um pouco e explorar ao redor, seguíamos viagem até chegar ao vilarejo onde passaríamos a noite. O homestay é uma das partes mais enriquecedoras do passeio, pois você dorme na casa de famílias locais (inclusive dividindo quarto com eles), comendo a comida que eles preparam e bebendo a cerveja que eles bebem (e pode ter certeza: eles vão te dar muuuuita cerveja – tá aí um povo que tem o processo de compartilhar como centro da sua cultura). Não é um ambiente “feito pra turista”, não tem nenhum luxo: é um vilarejo no meio do nada, muitas vezes acessível só pelo rio ou por trilha, e você tem a oportunidade incrível de estar inserido lá e olhar com outros olhos uma cultura antes desconhecida.

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Com os migos e a tiazinha cervejeira que nos hospedou na primeira noite

O primeiro dia no caiaque é o mais difícil, pois no rio Nam Ou foi construída uma barragem pela China, o que torna as águas extremamente calmas: toda a força pra mover o caiaque vai ter que vir do teu braço (nos dias seguintes, ultrapassamos a barragem e a correnteza do rio faz grande parte do trabalho). Para nós esse era só um esforço a mais, mas pensando no povo do Laos, que precisa usar o rio como meio de transporte (e tem sua economia também dependente disso), é uma situação triste. Além disso, apenas 10% da energia produzida por essa barragem é utilizada pelos locais, enquanto o resto vai todo para a China. Mais de 20 barragens estão sendo construídas por todo o país, e o impacto na vida dos moradores do local será imenso (e já é: nosso guia contou que esse mesmo passeio de caiaque que fizemos deixará de existir quando a próxima barragem, no mesmo rio, for construída, o que afeta diretamente seu trabalho).

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Montanhas até onde os olhos alcançam

Dicas:

  • Em Nong Khiaw, a cidade onde começamos a aventura, diversas agências de turismo oferecem o mesmo pacote. Vale a pena pesquisar e barganhar os preços. Nós pagamos cerca de 50 dólares por dia, e apesar de ir além do orçamento que eu tinha, valeu cada centavo.
  •  Preparo físico é importante; conhecer seus limites também. Explico: no final do primeiro dia minha amiga não conseguia mexer o braço de tanta dor. Alongamento e um remédio para dor podem ser a chave para que o passeio não termine por aí!
  •  Use protetor solar……… enquanto minha amiga sofria com as dores musculares, euzinha “esqueci” de passar protetor solar na perna e sofri queimaduras de segundo grau por exposição ao sol. Sério. Sem brincadeira.
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Uma imagem não-tão-gráfica-para-não-chocar só pra lembrar: UUUUUSE PROTETOR SOLAR!

O Laos é um país que pode te oferecer experiências muito diversas: quer festar gastando relativamente pouco em um país lindo? Pode. Quer fumar haxixe e não fazer nada o dia inteiro? Pode também. Agora, eu só me apaixonei dessa forma pelo país porque usei todas as oportunidades que tive para me meter na natureza e fazer coisas que nunca tinha feito, reenergizando no meio de toda essa exuberância verde; porque, através de homestays, fiquei na casa de famílias em vilarejos no meio do nada, conhecendo a forma como eles vivem – e que estavam tão dispostos a dividir conosco. Em um país onde os locais são tão receptivos e gostam tanto de dividir sua cultura e seus costumes conosco, eles garantem a tua imersão… e eu te garanto que a experiência vai ser profunda e cheia de significado!

Quer saber mais alguma coisa sobre viajar no Laos? Entra em contato e me conta!

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