As grutas de Tolantongo, México

Desde que cheguei no México e comecei a investigar os lugares que deveria conhecer próximos de Aguascalientes, a cidade onde vivo, Tolantongo foi um nome que surgiu repetidas vezes. A partir de diversas grandes cidades existem muitos tours e excursões, mas resolvi me juntar com outros intercambistas e viajamos por nós mesmos.

Um primeiro aviso: Tolantongo é muito, muito turístico – e o fato de irmos no período de férias certamente não ajudou. Mas diferentemente de outros destinos no país, o turismo é quase exclusivamente mexicano, o que garante que os preços não se inflem a padrões gringos como ocorre em muitos outros lados (vide Baja California Sur) e torna a viagem relativamente barata.

Mas, afinal…

O que há em Tolantongo?

Tolantongo, no estado de Hidalgo, é um parque natural que tem como atrativo principal suas grutas, cavernas, cachoeiras e piscinas naturais – tudo isso de águas termais. Sim, eu também quase não acreditei.

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Cartão postal principal de Tolantongo.

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Como as relações abertas arruinaram minha vida amorosa

Foi em 2013. Eu novinha, acabava de entrar na universidade para cursar Psicologia e estava naquele marcante momento de (des)construção do mundo ao meu redor, buscando me posicionar como ser humano nessa sociedade. Em um encontro estudantil, conheci um cara: alguns anos mais velho, muito querido, muito gato – e que vivia há mais de 1000km de distância.

É que desde que começamos a conversar, o santo bateu forte. A forma como eu via o mundo, a maneira como ele queria viver o mundo. Falamos muito abertamente sobre relacionamentos, sobre amor, sobre sexo;

acabamos coincidindo na crença de que a monogamia era um caminho, mas por ser imposto socialmente como o único caminho possível, as outras infinitas possibilidades eram deixadas de lado. 

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Sobre ser mulher viajando sozinha

Quando eu decidi ir pra Índia sozinha, com 19 anos, parece que o mundo ao meu redor parou e respirou fundo por um instante, hesitando antes de reagir. Apesar de alguns “que incrível, Ju!”, a maioria das respostas era de medo. Da impossibilidade de eu estar fazendo isso sendo mulher. De ameaça, porque ouvi de muitas bocas tudo de ruim que poderia acontecer comigo (e a lista não é pequena). E nessa hora eu fui a pessoa a respirar fundo, hesitante.

Ter receio é uma resposta natural. Por mais convicta que você esteja, quando o mundo inteiro ao teu redor diz que não é possível, você começa a questionar se não sonhou alto demais, longe demais – se o risco não é demasiado grande. Precisei buscar subsídios para me certificar de que a minha loucura não estava assim tão fora da curva: conversei com algumas mulheres que haviam mochilado sozinhas por esses mesmos lugares que eu queria ir; foi o suficiente para eu saber que sim, eu podia. E então eu fui.

Ter receio é uma resposta natural. Por mais convicta que você esteja, quando o mundo inteiro ao teu redor diz que não é possível, você começa a questionar se não sonhou alto demais, longe demais – se o risco não é demasiado grande.

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Comida barata em Cuba: uma saga

… uma saga composta por muita, muita farinha.

Comer barato em Cuba é, sim, bastante fácil. Por mais que em restaurantes ou casas particulares um prato custe a partir de 8 CUC, aquele antigo e bem treinado olhar mochileiro vai te ajudar a encontrar os cantinhos que te proporcionam uma comida não muito saudável, não muito variada, mas (por vezes) saborosa e (sempre) barata.

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A gente não aguenta mais pão, mas a alegria é genuína por seguir viajando.

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Meios de transporte em Cuba (com preços!)

Ainda que Cuba não seja um país muito extenso, viajantes de duas semanas costumam tecer sua rota pela zona mais próxima de Havana, chegando tão longe quanto Trinidad. Para quem tem pelo menos um mês, a parte oriental do país é uma possibilidade mais concreta, sendo possível conhecer desde a capital até Santiago de Cuba, do outro lado da ilha. Aeroportos existem espalhados pelo país; viajar por terra segue sendo a maneira mais barata de operacionalizar a jornada.

As opções são diversas: de ônibus turísticos até caminhões, cabem até nos orçamentos mais apertados – seguindo a lógica de que quem procura, acha. Buscando tornar mais palpável a idéia de quão barato pode ser viajar por Cuba (surpreendentemente e contra tudo que me diziam), minha experiência com transporte entre cidades se resume aqui. Mas atenção: por mais que haja uma lógica para o funcionamento de tudo no país, não há regra. O que eu vi como mais barato pode não ser quando você perguntar. Por isso, por via das dúvidas, sempre… pergunte! Os cubanos não se incomodam em serem abordados e adoram o Brasil.

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Onde se hospedar em Havana

Havana oferece possibilidades de hospedagem para todo o tipo de viajante: de gringos llenos de plata até mochileros contando cada moeda, não existe uma divisão clara de região para cada orçamento na cidade, como há em muitos outros lugares. Talvez porque o mesmo não se veja nem mesmo entre os cubanos em Havana, sem a divisão de classes explícita como estamos acostumados.
O que se pode dizer, sim, é que há uma região da cidade que aglomera a maior parte dos turistas – onde os carros antigos são mais lustrosos e qualquer cubano fumando um charuto se torna atração. Havana Vieja é esse bairro, e mesmo que você não se hospede por lá, inevitavelmente as andanças pela cidade te levarão para esses lados.

Um pouco mais distante da comercialização da vida cotidiana dos cubanos, é no centro de Havana que os turistas se misturam com o funcionamento normal da cidade – que não foi montada apenas para satisfazer as necessidades de quem vem de fora. Há 20 minutos a pé de Havana Vieja e 5 do Malecón (o mais próximo de uma versão cubana do calçadão de Ipanema que você vai encontrar), está a Casa Mirella para Mochileros.

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Essa casinha avermelhada é o lar da de Mirella, em Centro Havana. Talvez você também se sinta em casa, logo menos.

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Ser latinoamericana viajando em Cuba

Chegando ao fim da minha jornada de 18 dias por Cuba, chego à Havana para os últimos dias no país. Não sou grande fã de capitais, terras-de-ninguém onde, mais do que em qualquer lugar, parece que o jogo tem suas próprias regras – o melhor e o pior de um povo e de uma cultura são escrachados em toda esquina, o que é possível constatar em  alguns minutos observando para fora de qualquer janela.

Lendo o mundo através desse paradigma um pouco dramático (admito) do que é estar em uma capital, descasco um abacaxi com uma faca muito pouco afiada que quase me dá vontade de comê-lo com espinhos e tudo. A dona do hostel me chama, interrompendo meus devaneios, pedindo ajuda para traduzir informações à uma gringa que acabou de chegar e não fala uma palavra de espanhol. Deixo meu tortuoso trabalho de fatiar a fruta, um tanto quanto agradecida, para encontrar uma menina desamparada e sozinha. Conheço bem a figura: sendo eu mesma uma mulher jovem que viaja sola, já cruzei com muitas outras que precisavam de um ombro amigo em início de viagem, ou simplesmente alguém que dissesse que, por mais que as coisas não estejam dando muito certo nesse momento, elas vão melhorar.A situação começa a se desenrolar em frente aos meus olhos enquanto ouço duas versões que se complementam: a dona do hostel me diz que o cubano que está com a estrangeira não pode circular pelo hostel, mas que há uma cama onde ela pode dormir. Enfatiza que conhece bem aquele homem e ele só quer tirar dinheiro dela, dar bebidas alcoólicas e se aproveitar – ele trabalha com isso, os conhecidos “jiñeteros” de Cuba.

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