Uma viagem pelo norte da Argentina

Para viajar em julho, eu tinha dois desejos: ir para algum lugar que me permitisse colocar a mochila nas costas fluindo pelos caminhos desconhecidos + poder praticar meu espanhol (que, até esse momento, era mais ou menos igual a nada). Foi conversando com uma amiga sobre lugares legais de se conhecer que ouvi falar pela primeira vez do que há no norte da Argentina.

Aposto que já te disseram que Buenos Aires é uma cidade incrível, riquíssima em cultura.
Aposto que você já pensou em ir a Mendoza passear por vinícolas e degustar o produto local.
Aposto também que a Patagônia – e toda aquela neve de Bariloche e arredores – já figurou na sua lista de destinos desejados.
Mas acho que tem uma grande possibilidade de você nunca ter ouvido falar que, próximo à Bolívia, diferente das montanhas verdejantes ou cobertas de neve, há deserto; há um povo que, fisicamente, segundo nossos pré conceitos, “nem parece argentino”; há uma cultura extremamente distinta do que encontramos na capital ou no sul do país.

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Eu aposto que você nunca viu tantos cactus na vida quanto vai ver nessa viagem.

Divido com vocês meu roteiro e meus gastos de viagem pela província de Jujuy, no norte da Argentina, para que talvez sirva como base para a sua viagem. A escolha da ordem das cidades foi de acordo com a minha praticidade e lógica; pode ser tranquilamente invertida e remodelada.

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Uma experiência com Vipassana no Nepal

Vipassana é uma técnica de meditação antiga, não religiosa, ensinada há mais de 2500 anos. Foi sistematizada por Goenka, um praticante do Myanmar que se mudou para a Índia. Ele criou os cursos dessa vertente de meditação da forma que são conhecidos, e a partir disso foi possível que a técnica se disseminasse também pelo ocidente. Vipassana significa ver as coisas como realmente são, e toda a técnica meditativa ensinada pretende te levar nessa direção.

Hoje em dia, a lista de países com um centro de Vipassana é extensa. Muitos viajantes se atraem por participar de um curso, talvez por viajar ser um momento em que estamos muito abertos e podemos dedicar um tempo a nós mesmos, da forma que for. Às vezes, encontrar 10 dias quando você está em casa sentado no sofá, ou trabalhando 40h por semana, parece difícil… no movimento constante de viajar, nos permitimos. Durante minha passagem pela Ásia conheci muitas pessoas que haviam participado ou iam participar em breve de um dos cursos do Goenka. Pessoas que viajam por um longo tempo normalmente tem um próposito, um motivo para terem deixado suas vidas para trás. Elas buscam algo. Quando você viaja por si, a jornada é interna: a viagem apenas o estimula e o auxilia a ir além nessa busca por autoconhecimento. Pouco similar com a meditação, não?!
Busque o centro mais próximo de você – ou de sua futura viagem.

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Já que não tenho fotos do centro onde fiquei, vai essa, que foi tirada em Pai (Tailândia)

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Quão barato pode ser mochilar pela Índia

Dentre todas as informações que recebemos sobre a Índia como destino turístico, uma das mais comuns é o quão amigável a mochileiros com um orçamento apertado o país é. Quando saí do Brasil com a ideia mochilar o combo Índia + sudeste asiático, me preparei para um gasto de 30 dólares por dia, sabendo que poderia viver de forma relativamente confortável com esse dinheiro. Estive no país por dois meses, sendo que por três semanas fiquei em uma só cidade, fazendo meu curso de formação em yoga. Enquanto viajava, sempre tentei fazer tudo da forma mais barata o possível, e aqui divido com vocês os custos que tive. Pra resumir a história (e pra quem gosta de começar um livro pelo final), vou mostrar como viajei com um gasto médio de 15 dólares por dia (bem menos do que eu esperava gastar)!

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A Trilha do Trigo, no Rio Grande do Sul

Construída durante os anos 70, durante a ditadura militar, a Ferrovia do Trigo (EF-491) localiza-se no interior do Rio Grande do Sul, e o trecho entre Guaporé e Muçum é conhecido por ser um trajeto de trilha. Ainda que muitos gaúchos não conheçam a rota, o “passeio” (entre aspas, porque no final suas pernas vão demandar um pouco mais de descanso do que um simples “passeio” faria) apresenta cenários que muitos nem imaginam poder encontrar no país (afinal, o que é Brasil além de diversidade?).

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O Adriano, parceiro de trilha, balançando as perninhas enquanto admira a paisagem

Fiz essa trilha em maio de 2016 e compartilho aqui dicas para quem deseja viajar por si e fazer o mesmo de forma autônoma! Apesar de existirem grupos com guia que realizam o percurso, essa contratação não é necessária, pois não há possibilidade de se perder no caminho (você vai literalmente seguir os trilhos do início ao fim). Não há subidas íngremes durante todo o percurso, mas que isso não te engane – a trilha não é fácil e demanda certo preparo físico (ou, no mínimo, disposição e boa vontade). O solo de pedras irregulares não dá descanso em momento algum, o que exige bastante do seu corpo. Apesar de ser possível realizar a trilha com um tênis comum, botas específicas para trekking são um conforto altamente recomendado caso esse seja um luxo que você pode se dar!

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O que fazer em Koh Rong, no Camboja

A Tailândia é conhecida por suas praias paradisíacas de areia branca e águas translúcidas: grande parte dos turistas que visitam o país tem a costa como objetivo. Acontece que muitos mochileiros com rota pelo Sudeste Asiático, ao passarem pelo Camboja, acabam esquecendo que o país também oferece essas belezas naturais.

Sihanoukville é a praia mais conhecida por festas no país, sendo o ponto de encontro dos viajantes do mundo inteiro com os Australianos que buscam a oportunidade de ir para a balada e gastar pouco dinheiro (sim, você verá muito mais australianos do que locais). Apesar de estar a apenas um barco – e menos de 10 dólares – de distância da cidade, muitos nem se pensam em ir conhecer Koh Rong, uma das ilhas paradisíaca nos arredores.

Aqui vão algumas dicas para o mochileiro que busca Koh Rong sentindo aquela necessidade de afundar o corpo em areias fofinhas e entrar em um mar onde pode até enxergar o pé tocando no chão, devido a sua transparência. Não vou nem entrar no mérito de falar da temperatura do mar porque acho que já tem motivos o suficiente nesse post pra você querer conhecer a ilha, ok?

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Pôr do sol em Long Beach, Koh Rong.

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Como preparar a mochila para um mochilão

Chega a hora de viajar e todo mundo fica encucado pensando no que colocar na mochila. É engraçada a reflexão sobre como precisamos colocar tudo que é essencial em uma mochilinha, e ao mesmo tempo em que tudo parece importante, bem na realidade, quase nada é imprescindível.

Parti para um mochilão de 5 meses levando 11kg nas costas, em uma mochila de 55 litros. Primeira consideração a fazer: a mochila poderia ter sido menor. 50 ou 45l já teriam sido suficientes para mim, por questões práticas de como carregar de um lado pro outro. Quanto mais espaço temos, mais nos daremos ao luxo de preenchê-lo (com aquilo que, na verdade, não é tããão importante assim…). É importantíssimo pensar em quanto peso conseguimos carregar de forma confortável, e o sugerido é que não se passe de 20% de nosso peso corporal.

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Eu e todas as minhas tralhas penduradas.

Tudo vai depender do seu destino. Claro que se você vai para um lugar muito frio, sua mochila provavelmente acabará mais pesada; se você pretende acampar, ela precisará ser maior para comportar todos os equipamentos. Nesse post faço a lista das coisas que eu levei para mochilar em lugares de temperatura amena ou quente (considerando que, no meio de tudo isso, passei 2 semanas no Nepal em um início de inverno congelante – voltaremos a esse assunto mais adiante…). Lembre-se que o que foi citado aqui é o essencial: você pode levar tudo isso, muito mais ou ainda menos, depende do conforto que precisa – a ideia dessa página é exatamente que você possa viajar por si, conhecendo a si mesmo e podendo compreender suas próprias demandas e necessidades.

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Amritsar e o Golden Temple: dois dias de graça na Índia

Amritsar é uma cidade localizada no noroeste da Índia, no estado de Punjab. Ela é famosa pelo templo que lá se encontra: o Golden Temple, grande monumento da religião Sikh – é o centro do sikhismo no país.

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Claramente, a imagem de uma pessoa que não sabe posar na frente de monumentos.

A Índia é conhecida especialmente por ser um país de maioria hindu, mas diversas outras religiões coexistem (de forma não tão pacífica, muitas vezes) no mesmo território. Não há como negar que o país é fortemente religioso: seja muçulmano, hindu, sikh, cristão ou jainista, a grande probabilidade é que qualquer indiano se identifique com alguma delas. No tempo que estive no país, me propus a buscar informações sobre todas as religiões que se mostrassem abertas à minha presença, visitando templos e participando de cerimônias abertas.

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